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A meditação na visão de várias crenças

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Budismo

A partir da segunda metade do século 20, o budismo tornou-se a tradição oriental que mais cresceu nas Américas e na Europa. As escolas seguem os ensinamentos de Buda, que abandonou uma vida de riqueza para buscar a iluminação, há 2,5 mil anos. No Brasil, existem várias linhagens budistas com diferentes tipos de meditação. O Centro Dharma da Paz, fundado em São Paulo em 1988 pelo lama Gangchen Rimpoche, mestre do budismo tibetano, está hoje sob a orientação espiritual de seu discípulo lama Michel, brasileiro reconhecido como a reencarnação de um mestre do Tibete.

Lá é feita a meditação tântrica, "cuja essência é a identificação do praticante com seu potencial de iluminação, seu Buda interno, em todas as atividades da vida", diz Daniel Calmanowitz, diretor do centro. Ele explica: "As pessoas ainda não são seres iluminados, mas se identificam como tal quando se visualizam como a própria divindade. E os benefícios são deixar de lado a autocobrança e aumentar a autoa-aceitação". Há dez anos, chegou ao Brasil uma linha do budismo mahayana (que quer dizer "caminho da ajuda mútua"), da tradição kadampa. Fundada por Geshe Kelsang Gyatso, está presente em capitais e cidades do interior de São Paulo. A monja Kelsang Pälsang, diretora nacional dos centros, conta: "Os kadampas contemporâneos fazem uma meditação adaptada para pessoas modernas, que têm pouco tempo e muita pressa em aprender".

Meditação budista tibetana

1. Comece pensando: "Assim como eu quero ser feliz e evitar o sofrimento, os outros seres também querem a felicidade".
2. Lembre-se dos seres vivos a seu redor - família, amigos, animais. Todos querem ser felizes.
3. Surgirá uma forte sensação de que todos são iguais, querem a mesma coisa e são irmãos.
4. Quando essa sensação surgir, procure concentrar-se nela sem distrações. Quanto mais familiarizar a mente com essa idéia, mais calma e tranqüila ela se tornará.

Zen-budismo

O zen-budismo pertence à escola soto zen do budismo japonês, fundada no século 13. Chegou ao Brasil em 1956, trazida pelas comunidades japonesas, e hoje tem templos e mosteiros em vários Estados. A essência do zen é o estado de meditação em busca da não-dualidade. "Temos que ultrapassar os limites da mente, que considera o gosto/não gosto, amo/odeio, apego/aversão. Assim, chegamos ao ponto em que, unidos, vemos que somos a vida do Universo", ensina a monja Cohen, fundadora da Comunidade Zen-Budista, em São Paulo.

Além da compaixão, outra meta no zen é a iluminação. A mestra Shundo Rôshi ilustra a idéia no livro Para uma Pessoa Bonita (ed. Palas Athena). Ela conta que leu numa placa: "Faz barulho porque não está completo". Deliciada com o humor, pensou: "Faz sentido. Uma cabaça cheia até a boca não tem som se é sacudida, mas, se houver saquê no fundo, fará barulho. Os seres humanos são como as cabaças: a pessoa sábia é tranqüila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse".

Mas a calma do zen também é alerta. A mente desperta é um exercício de atenção aos pensamentos e à respiração. E o caminho é: persistência e paciência.

Há dois anos, a monja Cohen começou nos parques de São Paulo a "meditação andando". "Fomos mostrar que existe um comportamento voltado para a paz. Em vez de gritar com alguém, bater a porta, por exemplo, você pode caminhar quando está nervoso. Ficar em silêncio, entrar em contato consigo mesmo e achar uma solução de transformação verdadeira."

Meditação zen-budista

1. Em um local agradável, alinhe a coluna, firme os pés no chão e afaste ligeiramente as pernas, sem travar os joelhos.
2. Respire esvaziando bem o pulmão, soltando todo o ar pela boca várias vezes.
3. Depois, lentamente, caminhe com passos miúdos. Inspire e dê mais um passo (do tamanho da metade de seu pé). Expire e avance da mesma forma.
4. Sinta o chão sob os pés, a brisa no rosto, as áreas de luz e de sombra a seu redor.
5. Perceba que às vezes você pensa ou não pensa. Se se distrair, volte a prestar atenção.
6. Sinta que sua mente está em paz e, lentamente, volte a caminhar normalmente.


Sua saúde agradece

Médicos têm indicado com freqüência a prática de diferentes técnicas de meditação para ajudar no tratamento e na prevenção de doenças do coração, câncer e distúrbios do sono. As práticas levam ao controle da respiração, que, por sua vez, diminui a pressão sangüínea, aumenta a circulação e desintoxica o organismo.

O cardiologista José Antônio Curiati, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), fez um estudo com idosos cardíacos, na faixa etária de 76 anos. Eram 39 pacientes, divididos em dois grupos. Um praticava meditação durante meia hora, duas vezes ao dia. O outro grupo não. Conclusão do doutor Curiati: "Os que praticaram tiveram melhora na liberação dos hormônios que aliviam o estresse, na eficiência respiratória e na qualidade de vida em geral".

O Instituto do Sono de São Paulo atende 50 pacientes ao mês com queixa de insônia. A meditação é usada em 30% desses casos. "Já nas primeiras três semanas de prática, os efeitos positivos são registrados", afirma o neurologista Ademir Baptista da Silva, chefe do setor de distúrbio do sono do Hospital São Paulo, que trabalha há 15 anos com casos de insônia. A psicóloga da entidade, Eliane Aversa Lopes, que ensina a prática aos pacientes, diz: "A ansiedade é o que dificulta iniciar o sono. Então indicamos a meditação para baixá-la. Isso aumenta a chance de que o sono venha e seja reparador".

Meditação para dormir bem

1. Sente-se em um ambiente tranqüilo, com as luzes apagadas. Deite, feche os olhos e preste atenção em seu corpo.
2. Perceba cada ponto de tensão. Comece por cabeça, pescoço, ombros e vá descendo e relaxando ponto a ponto.
3. Observe o ritmo da respiração e vá fazendo com que ela aconteça na altura do abdômen e não no tórax. Isso melhora a oxigenação e libera emoções contidas. Relaxe, até dormir.

Recomendações:
Vá para o quarto apenas quando já estiver com sono. Faça esse exercício todas as noites, durante 15 minutos.

Cristianismo

Pouca gente sabe, mas há várias meditações cristãs. Fernando Altmayer, professor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, conta: "A meditação cristã nasceu do mundo judaico, após uma releitura do movimento místico que veio de Moisés e Abraão. Depois, os padres do deserto, cerca de 300 anos após a vinda de Jesus Cristo, começaram a meditar sistematicamente."

Desde a tradição dos desertos da Síria e do Egito nos séculos 3 e 4, místicos como são Francisco de Assis (séculos 12 e 13), passando por santa Teresa D`Ávila e são João da Cruz (século 16) e chegando a Teilhard Chardin e Tomás Merton (século 20), exercitaram técnicas para meditar. O teólogo carioca Frei Betto lembra: "De modo geral, existem três linhas. Os beneditinos, que combinam oração com trabalho (ora et labora), os franciscanos e os dominicanos, cuja espiritualidade é baseada na identificação com os pobres, e uma terceira linha, a dos jesuítas, que centram a meditação nos episódios da vida de Jesus". Em qualquer meditação, o que vale é persistir.

Meditação cristã

1. Procure um lugar silencioso.
2. Faça uma leitura de um fato importante em sua vida do dia, do mês, do ano. Nesse balanço, procure se lembrar das pessoas e das crises.
3. Escolha e leia um trecho da Bíblia a cada dia.
4. Concentre-se em uma palavra ou frase, compreendendo o sentimento e o sentido profundo de cada mensagem.
5. A seguir, fique em frente a uma imagem bonita (paisagem ao ar livre ou diante de uma bela foto) para de novo prestar atenção no silêncio.


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